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Mostrando postagens com o rótulo Linguística

Arapongagem

  Arapongagem Ronaldo Legey 15/08/2020   Arapongagem, este é o termo do momento. Agora então ficou mais em evidência, pois o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, fez críticas às declarações da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, que usou a palavra “ arapongagem ” em seu voto ao definir uma possível atuação irregular da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) durante julgamento no Supremo. O vice-presidente não apenas negou que a agência tivesse a intenção de atuar como um serviço de espionagem ilegal como também declarou energicamente: “Não é arapongagem”. Confesso que o significado deste termo estava meio que adormecido em mim. Entretanto, ao ouvi-lo de novo num jornal da Globonews, renasceu-me a sensação de que dele emanavam eflúvios buliçosos, capazes de alguma encrenca. E certeza mesmo de seus atuais significados só a tive ao me valer dos indispensáveis dicionários e da maravilhosa Internet, a qual, abreast of the times ,...

É erro mesmo?

É ERRO MESMO? Estudo realizado por Ronaldo Legey 15/11/2018   Quando garoto, bastava dizer “ eu vi ele ” que logo recebia a cuidadosa correção de minha mãe: “Não se diz ‘eu vi ele’, mas ‘eu o vi’”. Bons e saudosos tempos! A lição foi aprendida e, mais ainda, posteriormente reforçada pela escola. Esta nos ensinou que a gramática da Língua Portuguesa estabelece o uso do pronome reto exercendo a função de objeto. Assim sendo, ele , ela , eles, elas , que são pronomes do caso reto, não devem ocupar a função acusativa, ou seja, não podem funcionar como objeto direto, pois esta é uma função própria dos pronomes pessoais do caso oblíquo. Pois é, mas as línguas são caprichosas, são um sistema vivo e dinâmico e, não raro, apresentam fenômenos que se opõem às regras gramaticais que nos são ensinadas. Simples assim. Caso flagrante é o do uso dos pronomes do caso reto ele e suas flexões como objeto direto. Cansamos de ouvir por aí: “Não vejo ele faz tempo”; “Eu quis el...

Milhar, milhão, bilhão e que tais.

Por Ronaldo Legey 10/06/2017 Os milhares de crianças ou as milhares de crianças? Boa pergunta. Esta é uma dúvida cada vez mais frequente - mas não para o corretor de ortografia e gramática do meu Office - que tem levado muita gente boa a se enganar na hora de fazer a concordância nominal conveniente. Na mídia televisiva então, repórteres e entrevistados de programas há que, por repetidas vezes, se equivocam, oferecendo-nos pérolas, já não tão raras assim, do tipo: duas milhões de mulheres, duzentas milhões de pessoas, trezentas milhões de visualizações, algumas milhares de armas, tantas milhares de mulheres e por aí vai. Possivelmente se deixam influenciar por numerais referentes a centenas, a partir de duzentos, os quais, por sua natureza adjetiva, concordam em gênero e em número com as palavras que determinam. É o que se pode constatar nos exemplos a seguir: ·        O trajeto de DUZENTOS quilômetros foi percorrido de ônibus até a en...