Atendi à chamada da GLOBONEWS e,
bem cedo, me pus a assistir ao “casamento real”. Depois, saindo por aí, fui
ouvindo os comentários de nossos conterrâneos: “palhaçada”; “p’ra que gastar
tanto dinheiro? ”; “a mãe da noiva, coitadinha, estava sozinha”!; “as mulheres
usavam cada chapéu cafona! ”; “um verdadeiro conto de fadas”. E muito mais.
Entende-se que não há como impor a outros povos a nossa cultura nem desejar que
valorizem o samba, a cerveja e a feijoada. Cada um na sua. Entretanto, o que me
tocou mesmo, pois pareceu fora de propósito no século XXI, foi ouvir os
apresentadores da TV acentuarem repetidas vezes que a noiva é afrodescendente,
divorciada e feminista. O que isto importa? O olhar do casal nubente deixava
transparecer que estavam tomados daquele “fogo que arde sem se ver”, cantado
belissimamente por nosso Luís de Camões. Afinal, são dois seres humanos que se
desejam e que quiseram se unir. Pronto! Simples assim! Às favas a tradição e os
preconceitos!
É ERRO MESMO? Estudo realizado por Ronaldo Legey 15/11/2018 Quando garoto, bastava dizer “ eu vi ele ” que logo recebia a cuidadosa correção de minha mãe: “Não se diz ‘eu vi ele’, mas ‘eu o vi’”. Bons e saudosos tempos! A lição foi aprendida e, mais ainda, posteriormente reforçada pela escola. Esta nos ensinou que a gramática da Língua Portuguesa estabelece o uso do pronome reto exercendo a função de objeto. Assim sendo, ele , ela , eles, elas , que são pronomes do caso reto, não devem ocupar a função acusativa, ou seja, não podem funcionar como objeto direto, pois esta é uma função própria dos pronomes pessoais do caso oblíquo. Pois é, mas as línguas são caprichosas, são um sistema vivo e dinâmico e, não raro, apresentam fenômenos que se opõem às regras gramaticais que nos são ensinadas. Simples assim. Caso flagrante é o do uso dos pronomes do caso reto ele e suas flexões como objeto direto. Cansamos de ouvir por aí: “Não vejo ele faz tempo”; “Eu quis el...
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