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Atendi à chamada da GLOBONEWS e, bem cedo, me pus a assistir ao “casamento real”. Depois, saindo por aí, fui ouvindo os comentários de nossos conterrâneos: “palhaçada”; “p’ra que gastar tanto dinheiro? ”; “a mãe da noiva, coitadinha, estava sozinha”!; “as mulheres usavam cada chapéu cafona! ”; “um verdadeiro conto de fadas”. E muito mais. Entende-se que não há como impor a outros povos a nossa cultura nem desejar que valorizem o samba, a cerveja e a feijoada. Cada um na sua. Entretanto, o que me tocou mesmo, pois pareceu fora de propósito no século XXI, foi ouvir os apresentadores da TV acentuarem repetidas vezes que a noiva é afrodescendente, divorciada e feminista. O que isto importa? O olhar do casal nubente deixava transparecer que estavam tomados daquele “fogo que arde sem se ver”, cantado belissimamente por nosso Luís de Camões. Afinal, são dois seres humanos que se desejam e que quiseram se unir. Pronto! Simples assim! Às favas a tradição e os preconceitos!

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